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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A Espanha e a "Descoberta" da América

Caros, aí vai o link para baixar a aula sobre 1492 de América I, para quem tiver interesse: http://www.mediafire.com/file/mxdvh0qr8dq4i7b/1_-_A_Espanha_e_a_Descoberta_da_América.ppt

Jean-Frédéric Schaub - Categorias Raciais na Época Moderna - Minicurso - PPGHIS

Mini-curso promovido pelo Programa de Pós-graduação em História Social da
UFRJ e Projeto CAPES-COFECUB “Bom governo das gentes”, de 5 a 9 de novembro,
das 10h ao meio dia, no Instituto de História.

Inscrições gratuitas e abertas a pós-graduandos de outras instituições, no
PPGHIS, a partir de 15 de outubro.

A formação das categorias raciais nas sociedades europeias e em seus
impérios, na época moderna.

Jean-Frédéric Schaub, EHESS, Paris

A questão cronológica alimenta o confronto entre vários tipos de
interpretação do fenômeno racial. Os especialistas da questão não concordam
sobre o período a partir do qual podemos datar os primeiros dispositivos de
discriminação de indivíduos e de grupos, com base em teorias raciais. Alguns
afirmam que as categorias raciais foram forjadas e se tornaram disponíveis
somente a partir do Iluminismo tardio. Esta interpretação baseia-se na idéia
de que somente uma certa maturidade da história natural permitiu designar
causalidades biológicas na transmissão de caracteres sociais. Além disso,
haveria pensamento racial somente a partir do momento em que este tipo de
causalidade apagou qualquer outro parâmetro na descrição dos indivíduos e
dos grupos.

Para identificar esse objeto difícil de entender, deve-se partir de uma
definição formal e simples. Um raciocínio envolve categorias raciais quando
afirma que os caracteres morais e sociais das pessoas se transmitem pelos
tecidos e fluidos corporais. O pensamento racial efetua, assim, duas
operações: identifica as especificidades de enquanto pertencentes a grupos,
e em seguida afirma que esses traços são transmitidos pela geração. Esse
tipo de análise construiu-se gradualmente na época moderna, até serem
produzidas tabelas das raças humanas ou quadros de classificação. Quer se
trate de transmissão física de traços culturais ou de elaboração de
hierarquias entre grupos, lidamos com saberes situados nas dinâmicas
políticas.

Este mini-curso tem como objeto a atualização das raízes medievais e a
precocidade das teorias da alteridade segundo a raça, na época moderna.

sábado, 27 de outubro de 2012

A Mesoamérica no Google Street View

Google adiciona imagens de ruínas do México no Street View


CIDADE DO MÉXICO - O Google está adicionando imagens interativas de dezenas de ruínas pré-hispânicas no "Street View", seu serviço de mapas tridimensionais do Google Mapas. O Google México e o Instituto Nacional de Antropologia e História do México anunciaram na quinta-feira que 30 locais foram incluídos no Street View e dezenas de outros serão lançados este ano. O objetivo é reunir um total de 90 locais.

O recurso permite ao usuário clicar no mapa para obter imagens em 360 ​​graus e imagens interativas compostas de milhões de fotos tiradas ao nível da rua por veículos especialmente equipados. O Google usa um curioso triciclo para gerar imagens de lugares no México, muitos dos quais não têm áreas pavimentadas.

Entre os locais adicionados estão Chichen Itzá, Teotihuacán e Monte Alban.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/tecnologia/google-adiciona-imagens-de-ruinas-do-mexico-no-street-view-5826627#ixzz2AURPgRnM
© 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Giovanni Levi no IH

O Programa de Pós-graduação em História Social, em colaboração com o Laboratório de História das
Práticas Letradas do Instituto de História da UFRJ,
convidam para o evento

Conversações com GIOVANNI LEVI
da Università di Ca' Foscari de Veneza

Dia 1º de novembro, quinta-feira, às 10h30, na sala Evaristo de Moraes (109)
Campus do Largo de São Francisco da UFRJ
Largo de São Francisco, n. 1 – Centro

Seminário Internacional NUPEHC 20 Anos - Sujeitos Na História: Perspectivas e Abordagens


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Os Vieses Epistemologicos de Nosso Cérebro

Posto essa notícia pelas reflexões epistemológicas que baseiam a análise sobre a razão do voto: no final das contas, o trabalho do historiador se parece muito com isso, e precisamos ter consciência, mesmo que difusa, desses vieses de nosso cérebro para entendermos o debate historiográfico - especialmente no caso brasileiro, diria eu.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/1175366-razoes-de-voto.shtml

hélio schwartsman

26/10/2012 - 03h30
Razões de voto

SÃO PAULO - É interessante a iniciativa da Folha de convidar personalidades para explicar em artigos por que votarão em Fernando Haddad ou José Serra. O que me chamou a atenção na série é que, partindo de um mesmo conjunto de fatos (a conjuntura brasileira) e com objetivos não muito diferentes (promover o bem comum), pessoas inteligentes conseguem "deduzir" conclusões diametralmente opostas.

Como é possível? Isso nos leva ao âmago da teoria da decisão racional e, mais especificamente, a um polêmico e muito citado artigo de 2011 dos pesquisadores franceses Hugo Mercier e Dan Sperber, em que eles viram pelo avesso velhos pressupostos da filosofia e da psicologia.

Eles sustentam que a razão humana não surgiu para aumentar o nosso conhecimento e nos aproximar da verdade, como querem os modelos clássicos, porém mais simplesmente para nos fazer triunfar em debates.

A teoria dos autores, apoiada num volume impressionante de estudos e evidências, não apenas faz sentido evolutivo como ainda resolve uma série de vieses cognitivos que a psicologia tinha dificuldade de explicar. O mais interessante deles é o chamado viés de confirmação, pelo qual fechamos os olhos para as evidências que não corroboram nossas crenças e expectativas e sobrevalorizamos aquelas que apoiam nossas teses.

Se quisermos, essa é uma descrição razoavelmente precisa do que fazem jornalistas, cabos eleitorais de candidatos, ministros do Supremo, cientistas, advogados etc.

Se Mercier e Sperber têm razão, o saber não surge como resultado de esforços individuais, mas, sim, como um empreendimento coletivo. Diferentes agentes e facções se digladiam para convencer seus pares de que têm as melhores ideias e, nesse processo, o conhecimento acaba, às vezes, emergindo.

Nesse modelo, nem tudo está perdido, mas dependemos bem mais do acaso do que seria recomendável.
Hélio Schwartsman

Hélio Schwartsman é bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve na versão impressa da Página A2 às terças, quartas, sextas, sábados e domingos e às quintas no site.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

História do Brasil I - 2012/2 - Programa

Caros, pequena mudança: alterei o texto complementar da sétima aula, colocando mais um do Schwartz, e coloquei outro capítulo, mais sintético, do Alencastro, como obrigatório da 8a aula.

Em Word: http://www.mediafire.com/file/677ylfgqtqyegqu/1História_do_Brasil_I_-_Thiago_Krause.doc

Universidade Federal do Rio de Janeiro - Instituto de História.
História do Brasil I - IHI215 Período: 2012-2.
Sala: 303A Horário: Segunda-Feira, 08:40-12:00.
Pasta: Xerox do 3º andar, pasta 32A. Carga Horária: 60h.
Professor: Ms. Thiago Krause – thiagokrause@gmail.com.
Site: www.historiadaamericai.blogspot.com
Observação: o presente programa, a bibliografia, tipos de avaliações e critérios das mesmas poderão ser alterados a critério do professor, em atenção ao melhor aproveitamento do semestre letivo.

Programa de História do Brasil I
Ementa
Estudo das características e modalidades fundamentais da colonização portuguesa na América desde um ponto de vista sócio-econômico. Principais tendências historiográficas sobre o período.

Objetivos
Trabalhar de forma complementar os aspectos sociais, políticos, econômicos e culturais que se combinaram na formação da sociedade colonial – ou, para ser mais preciso, das múltiplas sociedades que se desenvolveram nos territórios que depois vieram a compor o Brasil independente no século XIX.
Oferecer aos alunos um instrumental historiográfico básico para a compreensão do Brasil Colonial. Será dada preferência a trabalhos mais recentes, devido aos limites inerentes a um curso básico, mas nas aulas expositivas será delineado o panorama historiográfico mais amplo.

Métodos
Aulas expositivas com a utilização de apresentações no Datashow, em que serão projetados o plano da aula, imagens e trechos de documentos; discussões de textos. Todas as aulas possuirão uma leitura obrigatória, que será discutida em sala, e uma bibliografia complementar indicada aos alunos. Presença é obrigatória e realizarei chamada. Este programa e diversos textos serão colocados para download no blog.

Avaliação
Participação nos debates em sala de aula – 2 pontos: nas duas primeiras discussões a turma será dividida em grupos de 5 alunos, apresentando um relatório sobre o debate. Nas aulas seguintes, cada texto possuirá até cinco expositores, além de um número igual de comentadores. Após a contextualização do professor, os expositores deverão apresentar o texto em no máximo 30 minutos, destacando seus pontos centrais e pontos a serem debatidos e aprofundados, enquanto os últimos deverão levantar questões para estimular o debate e/ou responder a questões colocadas por colegas ou pelo professor. Tanto comentadores quanto expositores deverão realizar a leitura complementar indicada para o aprofundamento da discussão. Todos os alunos deverão expor um texto e comentar outro, além de participarem dos dois primeiros debates. A participação durante as aulas expositivas e ao longo de todos os debates será muito valorizada.
Atenção! O objetivo da exposição e dos comentários é gerar debates, não realizar um fichamento detalhado, pois parte-se do pressuposto que todos leram o texto.
Trabalho – 4 pontos: um ensaio de 6 a 8 páginas, espaçamento 1,5, fonte 12 pt, Times New Roman, margens 2,5 cm, sobre um tema debatido ao longo do curso, a ser entregue na 12ª aula. O trabalho deve demonstrar a capacidade de recorte de um tema relevante, a reflexão crítica sobre a bibliografia (para além das leituras obrigatórias e complementares) e capacidade de análise.
Atenção! Plágio é zero automático.
Observação importante: a entrega do trabalho com até uma semana de atraso implica perda de 30% da nota; duas semanas, 50%; mais do que isso, o trabalho não será aceito.
Prova individual em sala de aula – 4 pontos: a prova consistirá em duas questões discursivas que exigirão uma comparação entre as leituras obrigatórias do curso; a utilização da bibliografia complementar será valorizada. Os alunos terão uma hora de consulta, devendo depois guardar todo o material, exceto anotações manuscritas realizadas na hora.

Temas e Cronograma de Leituras

1ª Aula 1ª parte: Apresentação do Programa e definição de expositores e comentadores.
15/10 Interpretações clássicas do Brasil: Varnhagen e Capistrano de Abreu.
2ª Aula Interpretações clássicas do Brasil (continuação)
22/10 Discussão de textos (a turma será dividida em grupos): Gilberto Freyre. “Características gerais da colonização portuguesa no Brasil: formação de uma sociedade agrária, escravocrata e híbrida” in: id. Casa-Grande & Senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. São Paulo: Global, 2006 [1933], 51ª edição revista, pp. 64-117; Sérgio Buarque de Holanda. “Trabalho e Aventura” in: id. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2006 [1936], edição comemorativa, pp. 31-61; Caio Prado Júnior. “Sentido da Colonização” in: id. Formação do Brasil Contemporâneo: Colônia. São Paulo: Brasiliense, 1994 [1942], 23ª ed., pp. 19-32; Raymundo Faoro. “Traços gerais da organização administrativa, social, econômica e financeira da colônia” Os Donos do Poder: formação do patronato político brasileiro. Porto Alegre: Globo, 1984 [1958], 6ª ed. revista e ampliada, vol. I, pp. 169-202.
3ª Aula Novas Interpretações do Brasil: do Antigo Sistema Colonial ao Antigo Regime nos Trópicos.
29/10 Discussão de textos (a turma será dividida em grupos): Fernando A. Novais. “A Crise do Antigo Sistema Colonial” in: id. Portugal e Brasil na Crise do Antigo Sistema Colonial (1777-1808). São Paulo: Hucitec, 2005 [1979], 8ª ed., pp. 57-116; Ciro Cardoso, “As concepções do 'Sistema Econômico Mundial 'e do 'Antigo Sistema Colonial’: a preocupação obsessiva com a 'extração de excedente'” in: José Roberto do Amaral Lapa (Org.). Modos de Produção e Realidade Brasileira. Petrópolis: Vozes, 1980, pp. 109-132; João Fragoso & Manolo Florentino. O arcaísmo como projeto: sociedade agrária e elite mercantil em uma economia colonial tardia (Rio de Janeiro, c. 1790 – c. 1840). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001 [1993], 4ª ed. revista, pp. 15-21 e 221-38; João Fragoso & Fátima Gouvêa. “Monarquia pluricontinental e repúblicas: algumas reflexões sobre a América lusa nos séculos XVI-XVIII”. Tempo, n. 27, 2009, pp. 36-50.
4ª Aula 1ª parte: A Expansão Marítima Portuguesa e o Descobrimento do Brasil.
12/11 2ª parte: Discussão de texto.
Obrigatório: Luiz Felipe Thomaz. “Expansão portuguesa e expansão europeia – reflexões sobre a gênese dos descobrimentos” [1989] in: id. De Ceuta a Timor. Lisboa: Difel, 1994, pp. 1-41.
Complementar: Vitorino Magalhães Godinho. “Que significa descobrir?” in: Adauto Novaes (org.). A Descoberta do Homem e do Mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, pp. 55-82.
5ª Aula 1ª parte: Índios: aliados, inimigos, escravos e catequizados.
26/11 2ª parte: Discussão de texto.
Obrigatório: Maria Regina Celestino de Almeida. “Política de aldeamentos e colonização” in: id. Os índios na história do Brasil. Rio de Janeiro: FGV, 2010, pp. 71-106.
Complementar: John Monteiro, “Senhores e índios” in: id. Negros da Terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 1994, pp. 154-87.
6ª Aula 1ª parte: A Construção da Economia Colonial (XVI-XVII)
03/12 2ª parte: Discussão de texto.
Obrigatório: Stuart Schwartz. “A ‘Babilônia’ colonial: a economia açucareira” e “Os escravos: ‘remédio de todas as coisas’” in: Francisco Bethencourt & Kirti Chauduri (eds.). História da Expansão Portuguesa, vol. 2: do Índico ao Atlântico (1570-1697). Lisboa: Círculo de Leitores, 1998, pp. 213-47.
Complementar: João Fragoso. “A formação da economia colonial no Rio de Janeiro e de sua primeira elite senhorial (séculos XVI e XVII)” in: João Fragoso; Fátima Gouvêa; Fernanda Bicalho. (Org.). O Antigo Regime nos trópicos: a dinâmica imperial portuguesa, séculos XVI-XVIII. Rio de janeiro: Civilização Brasileira, 2001, pp. 29-73.
7ª Aula 1ª parte: Mineração, Diversificação e Integração no Século XVIII
10/12 2ª parte: Discussão de texto.
Obrigatório: Antônio Carlos Jucá de Sampaio. “A curva do tempo: as transformações na economia e na sociedade coloniais no século XVIII” in: João Fragoso. O Brasil Colonial, vol. 3. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, no prelo.
Complementar: Stuart Schwartz, “De ouro a algodão: a economia brasileira no século XVIII” e “O Brasil no sistema colonial” in: Francisco Bethencourt & Kirti Chauduri (eds.). História da Expansão Portuguesa, vol. 2: do Índico ao Atlântico (1570-1697). Lisboa: Círculo de Leitores, 1998, pp. 86-103 e 138-53.
8ª Aula 1ª parte: Tráfico e Cativeiro
17/12 2ª parte: Discussão de texto.
Obrigatório: Luiz Felipe de Alencastro. “A Rede Econômica do Mundo Atlântico Português” in: Francisco Bethencourt & Diogo Ramada Curto (dirs.). A Expansão Marítima Portuguesa, 1400-1800. Lisboa: Editorial 70, 2010, pp. 115-39.
Complementar: Manolo Florentino, Alexandre Vieira Ribeiro e Daniel Domingues. “Aspectos comparativos do tráfico de africanos para o Brasil (séculos XVIII-XIX)”. Afro-Ásia, vol. 31, pp. 83-126.
9ª Aula 1ª parte: Resistência e Liberdade
07/01 2ª parte: Discussão de texto.
Obrigatório: Rafael de Bivar Marquese. “A dinâmica da escravidão no Brasil: resistência, tráfico negreiro e alforrias, séculos XVII a XIX”. Novos Estudos CEBRAP, vol. 74, 2006, pp. 107-123.
Complementar: Silvia Lara. “A multidão de pretos e mulatos” in: id. Fragmentos Setecentistas: escravidão, cultura e poder na América portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, pp. 126-72.
10ª Aula 1ª parte: Uma Sociedade Escravista Colonial
14/01 2ª parte: Discussão de texto.
Obrigatório: Stuart Schwartz, “Uma sociedade escravista colonial” in: id. Segredos Internos: engenhos e escravos na Bahia, 1550-1835. São Paulo: Companhia das Letras, 1988, pp. 209-24.
Complementar: Silvia Lara. “Diferentes e Desiguais” in: id. Fragmentos Setecentistas: escravidão, cultura e poder na América portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, pp. 79-125.
11ª Aula 1ª parte: Religião, Inquisição e Cultura Popular
21/01 2ª parte: Discussão de texto.
Obrigatório: Laura de Mello e Souza. “Religiosidade popular na colônia” in: id. O Diabo e a Terra de Santa Cruz: feitiçaria e religiosidade popular no Brasil colonial. São Paulo: Companhia das Letras, 1986, pp. 86-150.
Complementar: Ronaldo Vainfas. “Moralidades brasílicas: deleites sexuais e linguagem erótica na sociedade escravista” in: Fernando A. Novais (dir.) & Laura de Mello e Souza. (org.). História da vida privada no Brasil, vol. I: Cotidiano e vida privada na América Portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, pp. 221-73.
12ª Aula 1ª parte: Administração, Poder Local e Política
28/01 2ª parte: Discussão de texto.
Obrigatório: Stuart B. Schwartz. “O Abrasileiramento da Burocracia” e “Conclusão” in: id. Burocracia e Sociedade no Brasil Colonial: a Suprema Corte da Bahia e seus juízes (1609-1751). São Paulo: Perspectiva, 1979 [1973], pp. 251-95.
Complementar: Fernanda Bicalho. “As Câmaras Ultramarinas e o Governo do Império” in: João Fragoso; Maria Fernanda Baptista Bicalho; Maria de Fátima Silva Gouvêa. (Org.). O Antigo Regime nos Trópicos. A dinâmica imperial portuguesa. Sécs. XVI-XVIII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001, pp. 189-221.
13ª Aula 1ª parte: Reformas e Conjurações no Império Luso-Brasileiro (1750-1801) – Entrega do Trabalho.
04/02 2ª parte: Discussão de texto.
Obrigatório: István Jancsó. “A sedução da liberdade: cotidiano e contestação política no final do século XVIII” in: Fernando A. Novais (dir.) & Laura de Mello e Souza (org.). História da vida privada no Brasil, vol. I: Cotidiano e vida privada na América Portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, pp. 387-437.
Complementar: Luiz Carlos Villalta. “O Reformismo Ilustrado, a ‘Revolução’ e o Império Luso-Brasileiro” e “Minas Gerais, 1789: inconfidências no plural” in: id. 1789-1808. O Império Luso-Brasileiro e os Brasis. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, pp. 17-68.
14ª Aula Prova Escrita Individual em sala de aula
18/02
15ª Aula Entrega de Resultados e Avaliação do Curso
25/02

Bibliografia
ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O Trato dos Viventes: Formação do Brasil no Atlântico Sul, séculos XVI e XVII. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
ALMEIDA, Maria Regina Celestino de. Os índios na história do Brasil. Rio de Janeiro: FGV, 2010.
ANDRADE, Francisco Eduardo de. A invenção das Minas Gerais: empresas, descobrimentos e entrada nos sertões do ouro da América portuguesa. Belo Horizonte: Autêntica/Ed. PUC Minas, 2008.
BETHELL, Leslie (ed.). História da América Latina: América Latina Colonial, vols. I e II (trad.). São Paulo/Brasília: EDUSP/Fundação Alexandre de Gusmão, 1997-2004 [1984].
BETHENCOURT, Francisco e CHAUDURI, Kirti (dir.). História da expansão portuguesa. Lisboa, Círculo dos Leitores, 1998, vols. 1-3.
BICALHO, Maria Fernanda. A cidade e o Império: o Rio de Janeiro na dinâmica colonial portuguesa, séculos XVII e XVIII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
BOXER, Charles R. Portuguese society in the tropics: the municipal councils of Goa, Macao, Bahia and Luanda. Madison: University of Wisconsin Press, 1965.
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CHAMBOULEYRON, Rafael. Povoamento, Ocupação e Agricultura na Amazônia Colonial (1640-1706). Belém: Açaí, 2010.
FAORO, Raymundo. Os Donos do Poder: formação do patronato político brasileiro. Porto Alegre: Globo, 1984 [1958], 6ª ed. revista e ampliada, vol. I.
FARIA, Sheila de Castro. A colônia em movimento: fortuna e família no cotidiano colonial. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1998.
FEITLER, Bruno. Nas malhas da consciência: Igreja e Inquisição no Brasil – Nordeste, 1640-1750. São Paulo: Alameda/Phoebus, 2007.
FIGUEIREDO, Luciano. Rebeliões no Brasil Colônia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.
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FRAGOSO, João; GOUVÊA, Fátima & BICALHO, Fernanda (orgs.). O Antigo Regime nos Trópicos: a dinâmica imperial portuguesa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.
FRAGOSO, João; ALMEIDA, Carla e SAMPAIO, Antonio Carlos Jucá de (orgs.). Conquistadores e Negociantes: histórias de elites no Antigo Regime nos trópicos. América lusa, séculos XVI a XVIII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.
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LAPA, José Roberto do Amaral. O Antigo Sistema Colonial. São Paulo: Brasiliense, 1982.
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MATHIAS, Carlos L. K. As Múltiplas Facetas da Escravidão: o espaço econômico do ouro e sua elite pluriocupacional na formação da sociedade mineira setecentista. Rio de Janeiro: Mauad X, 2012.
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MAURO, Frédéric. Portugal, o Brasil e o Atlântico, 1570-1670. Lisboa: Estampa, 1997 [1960].
MAXWELL, Kenneth, A Devassa da Devassa: a Inconfidência mineira. Brasil e Portugal, 1750-1808 (trad.). Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1995.
MELLO, Evaldo Cabral de. Olinda Restaurada: guerra e açúcar no Nordeste, 1630-1654. São Paulo: Editora 34, 2007 [1975], 3ª ed. definitiva.
______________________. Rubro Veio: o imaginário da restauração pernambucana. São Paulo: Alameda Editorial, 2008 [1986], 3ª ed. revista.
______________________. A fronda dos mazombos: nobres contra mascates, Pernambuco, 1666-1715. São Paulo, Ed. 34, 2003 [1995], 2ª ed. revista.
MONTEIRO, John M. Negros da terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo, Companhia das Letras, 1994.
NOVAES, Adauto (org.). A Descoberta do homem e do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
NOVAIS, Fernando A. Portugal e Brasil na Crise do Antigo Sistema Colonial (1777-1808). São Paulo: HUCITEC, 2005 [1979], 8ª ed.
NOVAIS, Fernando A. (dir.) & SOUZA, Laura de Mello e (org.). História da vida privada no Brasil, vol. I: Cotidiano e vida privada na América Portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
NOVINSKY, Anita. Cristãos Novos na Bahia. São Paulo: Perspectiva, 1992 [1972], 2ª ed.
OSÓRIO, Helen. O império português no sul da América: estancieiros, lavradores e comerciantes. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2007.
PRADO JÚNIOR, Caio. Formação do Brasil Contemporâneo: Colônia. São Paulo: Brasiliense, 1994 [1942], 23ª ed.
PALACIOS, Guillermo. Campesinato e escravidão no Brasil: Agricultores livres e pobres na Capitania Geral de Pernambuco (1700-1817) (trad.). Brasília: EdUnB, 2004 [1998].
PAIVA, Eduardo França. Escravidão e Universo Cultural na Colônia: Minas Gerais, 1716-1789. Belo Horizonte: EDUFMG, 2001.
PUNTONI, Pedro. A Guerra dos Bárbaros: povos indígenas e colonização do sertão nordeste do Brasil, 1650-1720. São Paulo: EDUSP/Hucitec/FAPESP, 2002.
RAMINELLI, Ronald. Viagens Ultramarinas: monarcas, vassalos e o governo à distância. São Paulo: Alameda, 2008.
REGINALDO, Lucilene. Os Rosários dos Angolas: irmandades de africanos e crioulos na Bahia Setecentista. São Paulo: Alameda, 2011.
REIS, João José & GOMES, Flávio dos Santos (orgs.). Liberdade por um fio: história dos quilombolas do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
RICUPERO, Rodrigo. A formação da elite colonial: Brasil, c. 1530 – c. 1630. São Paulo: Alameda, 2008.
ROMEIRO, Adriana. Paulistas e emboabas no coração das Minas: ideias, práticas e imaginário político no século XVIII. Belo Horizonte: EDUFMG, 2008.
RUSSELL-WOOD, A. J. R. Escravos e libertos no Brasil colonial. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005 [1982].
SALDANHA, António Vasconcelos. As Capitanias do Brasil: antecedentes, desenvolvimento e extinção de um fenómeno atlântico. Lisboa: CNCDP, 2001 [1992], 2ª ed.
SAMPAIO, Antonio Carlos Jucá de. Na encruzilhada do império: hierarquias sociais e conjunturas econômicas no Rio de Janeiro (c.1650-1750). Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2003.
SCHWARTZ, Stuart B. Burocracia e sociedade no Brasil colonial: a Suprema Corte da Bahia e seus juízes, 1609-1751 (trad.). São Paulo: Perspectiva, 1979 [1973].
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___________________. Cada um na sua lei: tolerância religiosa e salvação no mundo atlântico ibérico (trad.). São Paulo/Bauru: Companhia das Letras/EDUSC, 2009 [2008].
SOARES, Márcio de Sousa. A Remissão do Cativeiro: a dádiva da alforria e o governo dos escravos nos Campos dos Goitacases, c. 1750 – c. 1830. Rio de Janeiro: Apicuri, 2009.
SOUZA, Laura de Mello e. Desclassificados do Ouro. Rio de Janeiro: Graal, 2004 [1982], 4ª ed..
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THOMAZ, Luís Filipe F. R. De Ceuta a Timor. Lisboa: Difel, 1994.
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VILLALTA, Luiz Carlos. 1789-1808. O Império luso-brasileiro e os Brasis. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
_____________________ & RESENDE, Maria Efigênia Lara de (orgs.). As Minas Setecentistas. Belo Horizonte: Autêntica, 2007, 2 vols.

Uma Discussão Filosófica sobre as Cotas

Como mencionei esse tema na aula de Brasil I, vai aí uma discussão um pouco mais sofisticada que o normal sobre o tema.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/1174363-a-multiplicacao-das-cotas.shtml

hélio schwartsman

25/10/2012 - 03h01
A multiplicação das cotas

Não sou um entusiasta das cotas raciais, mas não chego a afirmar que adotá-las seja um crime que resultará na destruição da meritocracia. O assunto é complexo e eu já o abordei algumas vezes. Mas, agora que o sistema de reserva de postos está se espalhando por diversas áreas e atingindo porções significativas das vagas, acho que é hora de voltar à questão, tentando situá-la no debate filosófico. Para o que segue, utilizo-me principalmente do livro "Justiça: o Que É Fazer a Coisa Certa", de Michael Sandel, embora eu chegue a conclusões bastante diferentes das deste brilhante professor, que é um dos autores de que eu mais gosto de discordar.

Existem duas justificativas de peso para a adoção das cotas raciais. A primeira é que ela seria uma forma de reparar injustiças históricas. É preciso ser estatisticamente cego para não perceber que existe racismo no Brasil e historiograficamente ignorante para afirmar que a escravidão não teve nada a ver com isso. Uma compensação para os descendentes dos escravos na forma de cotas seria assim uma forma de fazer justiça.

O raciocínio tem seu apelo, mas apresenta alguns problemas. Em primeiro lugar há um grande descompasso entre o universo de prejudicados pela injustiça histórica original (negros escravizados) e o de beneficiados pela política reparatória (alguns de seus descendentes, em geral os mais dotados e que menos precisariam de ajuda). E vale lembrar que os que pagam a conta (o branco preterido no vestibular, por exemplo) tampouco coincidem com aqueles que, no passado, lucraram com a injúria primordial (mercadores e arregimentadores de escravos, grandes fazendeiros).

O argumento só para em pé se evocarmos a noção de responsabilidade coletiva, que é, a meu ver --e também no de Sandel--, bastante complicada. Nós temos a responsabilidade moral de reparar erros cometidos por nossos ancestrais ou, menos ainda, por gerações prévias com as quais compartilhamos umas poucas características triviais como a cor da pele?

Há também a questão da distância no tempo. Quando a conta por um crime é cobrada no espaço de uma ou duas gerações, ela ainda pode fazer algum sentido. Mas, à medida que passam os séculos a separar a ofensa original da reparação, o próprio objeto da queixa vai perdendo materialidade. Soaria meio ridículo se os berberes levassem à Itália a fatura pela destruição de Cartago pelos romanos (146 a.C.) ou se os descendentes dos jebuseus, se é que ainda os há, fossem a Israel cobrar uma indenização pelas perseguições promovidas por Josué antes do ano 1000 a.C..

A segunda justificativa para as cotas, a da promoção da diversidade, é mais interessante. O negro não deveria receber preferência para ser aceito numa universidade devido a algo que já tenha acontecido (o que inclui tanto a escravidão como as privações econômicas que afetam ainda hoje sua família), mas simplesmente porque essa é uma maneira de promover um fim socialmente justificável. A racionalidade da medida já não está no passado nem no indivíduo, mas no futuro e na coletividade.

Um corpo discente que reúna pessoas com as mais diversas experiências e histórias de vida é enriquecedor para todos. Um aluno aprenderia menos sobre o mundo se em sua sala existissem apenas pessoas socioeconomicamente iguais a eles.

De modo análogo, a sociedade de um modo mais geral ganha se membros de minorias discriminadas ocuparem postos-chave, o que inspiraria jovens do mesmo grupo a copiar-lhe os passos, dando início a um círculo virtuoso que contribui para o bem comum.

O problema com essa argumentação é que ela vem com um outro lado. Como o ingresso em universidades e empregos públicos têm vagas limitadas, caímos no que os economistas chamam de jogo de soma zero, ou seja, para alguém ganhar, outro precisa perder. E isso nos leva ao fulcro da questão. Com que critério as vagas devem ser alocadas? Nossa tendência quase intuitiva é dizer o mérito.

Mas o que é o mérito? Diferentes concepções filosóficas resultam em diferentes respostas. Para liberais e libertários como Robert Nozick a solução é relativamente simples: temos direito a tudo aquilo que as pessoas nos queiram dar voluntariamente. Em geral, o mercado traduz bem essas preferências difusas, mas, para dar mais concretude ao caso, façamos um experimento mental. Imaginemos que, em vez de comprar o ingresso para ir a um jogo de futebol, os torcedores depositem diretamente na conta de cada um de seus ídolos o valor que estão dispostos a pagar para assisti-los. Evidentemente, craques como Neymar ficariam com a parte do leão, enquanto atletas mais anônimos receberiam bem menos. Mas não importa, Neymar fez jus a seu quinhão, e qualquer tentativa de subtrair algo do que ele ganhou, incluindo alíquotas progressivas de imposto de renda, é algo indistinguível do roubo e até da escravidão, já que dinheiro e tempo são intercambiáveis. Sob essa visão, cotas são de fato um crime --e grave, podemos acrescentar.

Já um utilitarista, para o qual toda ação deve ser medida em termos do resultado líquido de utilidade que produz, as cotas são bem mais facilmente defensáveis. Méritos e virtudes são abstrações que podemos pular. Se colocar um negro na faculdade gera mais bem-estar para esse indivíduo e para a comunidade do que dor para a pessoa que foi preterida, então devemos dar-lhe a vaga sem pestanejar.

John Rawls tem uma visão mais sofisticada. E mais radical também. Para ele, "ninguém merece maiores capacidades naturais nem lugar privilegiado na sociedade". Direitos da nobreza são uma excrescência. Essa é a parte fácil de aceitar nestes nossos tempos republicanos. Um corolário mais problemático é o fim do direito de herança, que ainda é uma peça-chave para o bom funcionamento do capitalismo. O mais duro de engolir, contudo, é a implicação de que a própria habilidade futebolística de um Neymar, com a qual ele nasceu, também é um prêmio indevido. Atributos como força, inteligência e beleza também entram nessa categoria, já que são resultado da loteria genética e não de virtudes individuais, ainda que, em alguma medida, tanto o craque como o gênio tenham sabido desenvolver seus talentos naturais. Se é injusto discriminar alguém por causa da cor da pele, é injusto favorecer outrem porque teve a sorte de nascer com a qualidade certa na época certa.

É um pensamento decerto estimulante e ótimo para elaborar uma teoria da justiça. Receio, entretanto, que tenha pouco apelo prático, já que vai contra valores muito enraizados na nossa sociedade, que se acostumou a ver resultados obtidos (por mais que eles dependam do acaso) como a materialização das virtudes (ou vícios) do indivíduo. É isto, afinal, o que dizem as religiões (colherás aquilo que semeaste) e a ética do trabalho, que traduz o espírito do capitalismo.

Isso implica que, até prova em contrário, as discussões sobre cotas transitarão entre concepções liberais e utilitaristas, que muitas vezes catalogamos como de direita e de esquerda, respectivamente. E penso que ambas (e também a de Rawls) são impraticáveis se tomadas pelo valor de face.

O ultraliberalismo nos levaria a rejeitar não só cotas e ações afirmativas, mas toda e qualquer diferenciação entre cidadãos, aí incluído o imposto de renda progressivo, aposentadorias especiais e até programas de recuperação nas escolas (não podemos gastar mais com quem foi "preguiçoso"). Drogados e fumantes não teriam direito a atendimento médico, já que seus males resultam de suas próprias decisões.

Já a posição utilitarista leva a dilemas ainda mais escabrosos. O médico utilitarista estaria legitimado a matar o paciente saudável que entrou em seu consultório para, com seus órgãos, salvar a vida de cinco doentes que estavam na fila do transplante. No plano econômico a situação não é melhor. Numa sociedade sem nenhum tipo de desigualdade, nós provavelmente teríamos muito pouca produtividade e inovação. Paradoxalmente, a tentativa de deixar a maioria de nós em melhor situação nos lançaria a todos numa encrenca pior.

Só o que sobra, portanto, é velho radicalismo de centro, que nos obriga a procurar soluções bem dosadas para cada problema, incluindo as cotas. Se as coisas não saírem como imaginamos, ainda poderemos recuar e reformular.

De minha parte, eu evitaria lançar a carta racial, um conceito complicado que já provou ser capaz de despertar o que os homens têm de pior. Penso que podemos chegar mais ou menos aos mesmos resultados operando apenas com categorias de renda, que ainda têm a vantagem de ser mensuráveis e inapelavelmente objetivas. Em termos demográficos, ajudar aos mais pobres já significa ajudar proporcionalmente mais aos negros, já que o racismo apresenta sua fatura na forma de pobreza. A principal diferença é que não abandonaríamos os pobres de outras cores pelo caminho.
Hélio Schwartsman

Hélio Schwartsman é bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve na versão impressa da Página A2 às terças, quartas, sextas, sábados e domingos e às quintas no site

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Mulheres Africanas e Economia

Achei essa notícia por me lembrar dos estudos que enfatizam a participação das mulheres africanas nas economias escravistas americanas, especialmente como forras. Será possível traçar continuidades culturais?

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1172277-mulheres-africanas-surpreendem-mercado-mundial.shtml

22/10/2012 - 03h50
Mulheres africanas surpreendem mercado mundial

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JOSH KRON
DO "NEW YORK TIMES"
The New York Times Muitas vezes, a África é vista apenas como um continente que precisa de auxílios com os quais seus habitantes mal conseguem sobreviver e que maltrata e marginaliza as mulheres.

Foi nesse mundo -e contra ele- que surgiu a fábrica de calçados SoleRebels, afirma sua proprietária, Bethlehem Tilahun. "Eu sempre escutei a expressão 'alívio da pobreza'", diz a empreendedora, cuja fábrica faturou US$ 2 milhões em 2011. "A imprensa, preocupada com uma única narrativa a respeito da 'África', deixava de lado a história no continente, que possui um espectro maior de entidades que podem representar a imagem da África, nossa marca."

Com a SoleRebels, diz ela orgulhosa, "invertemos o paradigma inteiro". Tilahun, 33, é parte de uma onda de empreendedores africanos que participam da melhor fase econômica do continente em várias gerações. Num mundo em recessão, o Fundo Monetário Internacional prevê que a África terá nos próximos cinco anos o maior crescimento de todos os continentes.

Muitos desses novos empreendedores são mulheres. A SoleRebels -um trocadilho com "rebeldes da sola" e "rebeldes solitárias"- surgiu em 2004, quando Tilahun, recém-saída da faculdade na Etiópia, montou em um terreno da sua avó uma oficina onde artesãs do bairro produziam sandálias. Hoje, trata-se de uma companhia multimilionária, que fabrica calçados ambientalmente corretos -feitos manualmente-, vendidos no exterior a US$ 60 o par.

A empresa tem cerca de cem funcionários e recentemente abriu uma loja própria no centro de Adis Abeba, expondo sua fusão entre os gostos abissínios e ocidentais. Tilahun disse que, a cada par, busca mudar a mentalidade das pessoas sobre a África.

Segundo um relatório do Banco Mundial, mais de 20 países subsaarianos, com mais de 400 milhões de habitantes, já ascenderam ao status de "renda média". O número de pessoas vivendo na pobreza caiu cerca de dez pontos percentuais na última década.

O índice de empreendedorismo feminino é maior na África do que em qualquer outra região do mundo, segundo o Banco Mundial. Até países africanos criticados por abusos aos direitos humanos e restrições às liberdades são progressistas na questão de gênero.

"As mulheres no setor privado representam uma poderosa fonte de crescimento econômico e oportunidades", diz Marcelo Giugale, diretor do Banco Mundial para a redução da pobreza e a gestão econômica na África.

"Na África, você vê as mulheres trabalhando muito", observa Markus Goldstein, economista do Departamento de Gênero do Banco Mundial, em Washington.

Segundo dados do Banco Mundial, quase dois terços das mulheres africanas participam da força de trabalho.

Na África do Sul, Sibongile Sambo foi uma pioneira da aviação feminina e hoje dirige uma empresa de voos fretados. No Quênia, Ory Okolloh, 23, participou da criação do Ushahidi, um software colaborativo para monitorar situações de emergência em tempo real, que é utilizado pelo Google.

Na Nigéria, Adenike Ogunlesi construiu do nada um império regional da moda infantil -ela começou vendendo pijamas no porta-malas do seu carro.

Em Uganda, país banhado por um grande lago, Lovin Kobusingya lançou uma salsicha de peixe. "Eu sempre soube que era uma empresária", diz Kobusingya, 29, mãe de dois filhos. "Quando eu estava no colégio, já vendia doces. Eu ganhava dinheiro com isso."

Sua empresa, a Kati Fish Farms, vende 500 kg de salsichas por dia e usa oito toneladas de peixe por semana. Ela se diz "muito feliz e orgulhosa" por ser uma empreendedora. "Quando eu era jovem, diziam: 'Mulher é mulher -um homem deve cuidar de você'. Mas as mulheres na verdade estão contribuindo bem mais do que os homens. Sempre acabamos fazendo múltiplas tarefas", disse ela, que se divide entre o trabalho e a família. "Se isso pudesse ser equacionado em termos de moeda, seria 80% da economia."

Pode não ser coincidência que várias economias africanas que se destacam apesar da escassez de recursos -como Etiópia ou Ruanda- tenham governos austeros, ordeiros, patrióticos e eficientes no uso da ajuda externa, que desprezam a caridade e priorizam os investimentos e a iniciativa privada.

Em Ruanda, uma mudança nas leis permitiu que marido e mulher constem conjuntamente nas escrituras fundiárias, o que levou a um aumento de quase 20% no número de proprietárias rurais.

"Quando entrei na faculdade", observou Tilahun, "já estava claro para mim que 'alívio da pobreza' é um mito. As pessoas não querem não ser pobres, elas querem alguma forma de prosperidade. Isso não significa ser milionário ou bilionário, mas próspero. Para criar prosperidade, você precisa criar algo de alto nível". Ela diz que houve na Etiópia quem tentasse limitá-la devido ao seu gênero. "Mas nunca me limitei."

Os produtos da SoleRebels agora são anunciados em revistas de Toronto e Berlim, e Tilahun foi citada pela revista "Forbes" como uma das cem mulheres a serem observadas em 2012.

Há uma "necessidade urgente", segundo ela, de criação de mais marcas africanas que ofereçam produtos de alto nível no mercado mundial. Para Tilahun, isso sufocaria as organizações humanitárias que estão "vendendo mensagens e imagens da África".

"Vamos encarar: é difícil convencer as pessoas a comprar o que você está vendendo quando essas organizações convencem os consumidores que os africanos estão apenas ocupados em espantar moscas do rosto."

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Esclarecimento - Paginação dos Textos - Brasil I

Caros alunos, só um aviso: a paginação dos textos depende de cada edição. Como os textos clássicos a serem discutidos na próxima aula tiveram muitas edições, e as que encontrei online não são as mesmas que possuo em casa, é normal que haja diferenças de paginação. Guiem-se, assim, pelo título dos capítulos, como indicado no programa, ok?

Boa leitura e até o debate de 2a feira!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

História da América I - 2012/2 - Programa

Em Word: http://www.mediafire.com/file/341wtwkgnz76wod/1Programa_América_I_-_Thiago_Krause,_2012-2.doc

Universidade Federal do Rio de Janeiro - Instituto de História.
História da América I – IHI215. Período: 2012-2.
Sala: 303A Horário: Terça-Feira, 08:40-12:00.
Pasta: Xerox do 3º andar, pasta 32. Carga Horária: 60h.
Professor: Ms. Thiago Krause – thiagokrause@gmail.com.
Site: www.historiadaamericai.blogspot.com
Observação: o presente programa, a bibliografia, tipos de avaliações e critérios das mesmas poderão ser alterados a critério do professor, em atenção ao melhor aproveitamento do semestre letivo.

Programa de História da América I

Ementa
Características gerais das sociedades pré-colombianas. Os processos de conquista e dominação das sociedades pré-colombianas. A formação das sociedades coloniais hispano-americanas, caribenhas e anglo-saxãs e suas principais características dos séculos XVI ao XVIII.

Objetivos
Trabalhar de forma complementar os aspectos sociais, políticos, econômicos e culturais que se combinaram na formação das múltiplas sociedades particulares que se desenvolveram na América Espanhola, no Caribe e na América Inglesa continental.
Oferecer aos alunos um instrumental historiográfico básico para a compreensão da América Colonial. Será dada preferência a trabalhos sintéticos, recentes e em português ou espanhol, mas nas aulas será delineado o panorama historiográfico mais amplo, dentro da exposição do conteúdo.

Métodos
Aulas expositivas com a utilização de apresentações no Datashow, em que serão projetados o plano da aula, imagens e trechos de documentos; discussões de textos. Todas as aulas possuirão uma leitura obrigatória, que será discutida em sala, e uma bibliografia complementar indicada aos alunos. Presença é obrigatória e realizarei chamada. Este programa e diversos textos serão colocados para download no blog, e todos deverão entrar na lista de e-mail para facilitar a comunicação com a turma.

Avaliação
Participação nos debates em sala de aula – 1 ponto: cada texto possuirá até cinco expositores, além de um número igual de comentadores. Após a contextualização do professor, os expositores deverão apresentar o texto em no máximo 30 minutos, destacando seus pontos centrais e questões a serem debatidas e aprofundadas, enquanto os últimos deverão levantar questões para estimular o debate e/ou responder a questões colocadas por colegas ou pelo professor. Tanto comentadores quanto expositores deverão realizar a leitura complementar indicadas para o aprofundamento da discussão. Todos os alunos deverão expor um texto e comentar outro. A participação durante as aulas expositivas e ao longo de todos os debates será muito valorizada.
Atenção! O objetivo da exposição e dos comentários é gerar debates, não realizar um fichamento detalhado, pois deve-se partir do pressuposto que todos leram o texto.
Trabalho – 4 pontos: um ensaio de 6 a 8 páginas, espaçamento 1,5, fonte 12 pt, Times New Roman, margens 2,5 cm, sobre um tema debatido ao longo do curso, a ser entregue na 12ª aula. O trabalho deve demonstrar a capacidade de recorte de um tema relevante, a reflexão crítica sobre a bibliografia (para além das leituras obrigatórias e complementares) e capacidade de análise.
Atenção! Plágio é zero automático.
Observação importante: a entrega do trabalho com até uma semana de atraso implica perda de 30% da nota; duas semanas, 50%; mais do que isso, o trabalho não será aceito.
Prova individual em sala de aula – 5 pontos: a prova consistirá em duas questões discursivas que exigirão uma comparação entre as leituras obrigatórias do curso; a utilização da bibliografia complementar será valorizada. Os alunos terão uma hora de consulta, depois deverão guardar todo o material, exceto anotações manuscritas realizadas na hora.


Temas e Cronograma de Leituras

1ª Aula 1ª Parte: Apresentação do Programa e distribuição dos expositores e comentadores dos textos.
16/10 2ª Parte: A Espanha e a “Descoberta” da América.
2ª Aula 1ª parte: A Espanha e a “Descoberta” da América (continuação).
23/10 2ª parte: Discussão de Textos.
Leitura Obrigatória: Felipe Fernandez-Armesto, “O salto: o grande salto avante da década de 1490” in: id. Os Desbravadores: uma história mundial da exploração da Terra (trad.). São Paulo: Companhia das Letras, 2009 [2007], pp. 194-240.
Leitura Complementar: Bernard Vincent. “Por que a Espanha?” in: id. 1492: descoberta ou invasão? (trad.) Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992 [1991], pp. 62-84.
3ª Aula 1ª parte: As Sociedades Americanas pré-contato
30/10 2ª parte: Discussão de Textos.
Leitura Obrigatória: James Lockhart & Stuart Schwartz. “Os Modos Indígenas” in: id. A América Latina na Época Colonial (trad.). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002 [1983], pp. 51-80.
Leitura Complementar: Ciro Cardoso, “Poder Político e Religião nas altas culturas pré-colombianas” in: Ronaldo Vainfas (org.). América em Tempo de Conquista. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992, pp. 11-32.
4ª Aula 1ª parte: A Conquista da América Espanhola: estratégias de dominação e resistência.
13/11 2ª parte: Discussão de Textos.
Leitura Obrigatória: Matthew Restall, “Guerreiros Invisíveis: o mito do conquistador branco” in: id. Sete Mitos da Conquista Espanhola (trad.). Civilização Brasileira: Rio de Janeiro, 2006 [2003], pp. 93-124.
Leitura Complementar: John H. Elliott, “A Conquista Espanhola e a Colonização da América” in: Leslie Bethell (ed.). História da América Latina, vol. I: América Latina Colonial. São Paulo/Brasília: EDUSP/Fundação Alexandre de Gusmão, 1997 [1984], pp. 135-194.
5ª Aula 1ª parte: O Mundo Indígena: persistência, continuidades, adaptações e transformações.
27/11 2ª parte: Discussão de Textos.
Leitura Obrigatória: Charles Gibson, “As sociedades indígenas sob o domínio espanhol” in: Leslie Bethell (ed.). História da América Latina, vol. II: América Latina Colonial. São Paulo/Brasília: EDUSP/Fundação Alexandre de Gusmão, 1997 [1984], pp. 269-308.
Leitura Complementar: Ronald Raminelli. “Nobreza Indígena da Nova Espanha: alianças e conquistas”. Tempo: revista do departamento de História da UFF, n. 27, 2009, pp. 83-96.
6ª Aula 1ª parte: A economia e o trabalho na América Espanhola: mineração, haciendas e obrajes; encomienda, repartimiento, escravidão e trabalho “livre”.
04/12 2ª parte: Discussão de Textos.
Leitura Obrigatória: John H. Elliott, “La explotación de los recursos americanos” in: id. Impérios del Mundo Atlántico: España y Gran Bretaña en América (1492-1830) (trad.). Madrid: Taurus, 2006.
Leitura Complementar: Steve J. Stern. “La herencia colonial de Huamanga” in: id. Los pueblos indígenas del Perú y el desafío de la conquista española: Huamanga hasta 1640 (trad.). Madri: Alianza, 1986 [1982], pp. 293-306.
7ª Aula 1ª parte: Evangelização e Resistência.
11/12 2ª parte: Discussão de Textos.
Leitura Obrigatória: Serge Gruzinski. “O Choque da Conquista” e “Ocidentalização” in: id. O Pensamento mestiço. São Paulo: Companhia das Letras, 2001 [1999], pp. 63-110.
Leitura Complementar: Stuart Schwartz, “Ajustes americanos” in: id. Cada um na sua lei: tolerância religiosa e salvação no mundo atlântico ibérico (trad.). São Paulo/Bauru: Companhia das Letras/EDUSC, 2009 [2008], pp. 230-268.
8ª Aula 1ª parte: A sociedade da América Espanhola Colonial.
18/12 2ª parte: Discussão de Textos.
Leitura Obrigatória: John H. Elliott, “La Ordenación de la Sociedad” in: id. Impérios del Mundo Atlántico: España y Gran Bretaña en América (1492-1830) (trad.). Madrid: Taurus, 2006, pp. 239-80.
Leitura Complementar: James Lockhart, “Organización y cambio social en la América española colonial” in: Leslie Bethell (ed.). História de América Latina, tomo 4: América Latina Colonial – Población, Sociedad y Cultura. Barcelona: Crítica, 1990 [1984], pp. 63-108.
9ª Aula 1ª parte: Elites Coloniais e Poder Local.
08/01 2ª parte: Discussão de Textos.
Leitura Obrigatória: Ronald Raminelli, “A Monarquia Católica e os Poderes Locais do Novo Mundo” in: id. & Cecília Azevedo (orgs.). História das Américas: novas perspectivas. Rio de Janeiro: FGV, 2011, pp. 29-54.
Leitura Complementar: KICZA, John E. “Formación, identidad y estabilidad dentro de la élite colonial mexicana en los siglos XVI y XVII” in: SCHRÖTER, Bernd & CÜSCHGES, Christian (eds.). Beneméritos, aristócratas y empresarios: identidades y estructuras sociales de las capas altas urbanas en América hispánica. Madrid/Frankfurt: Iberoamericana/Vervuert, 1999, pp. 17-34.
10ª Aula 1ª parte: Estado e Administração.
15/01 2ª parte: Discussão de Textos.
Leitura Obrigatória: John H. Elliott, “La Corona y Los Colonizadores” in: id. Impérios del Mundo Atlántico: España y Gran Bretaña en América (1492-1830) (trad.). Madrid: Taurus, 2006, pp. 189-238.
Leitura Complementar: Alejandro Cañeque, “Cultura Vicerregia y Estado Colonial”. História Mexicana, vol. LI, n. 1, 2001, pp. 5-57.
11ª Aula 1ª parte: Reformas Bourbônicas
22/01 2ª parte: Discussão de texto.
Leitura Obrigatória: Elisa Fruhauf Garcia. “Os índios e as reformas bourbônicas: entre o ‘despotismo’ e o consenso” in: Cecília Azevedo & Ronald Raminelli. (org.). História das Américas: novas perspectivas. Rio de Janeiro: FGV, 2011, pp. 55-81.
Leitura Complementar: James Lockhart & Stuart Schwartz. “O fim da época colonial nas Índias Ocidentais espanholas” in: id. A América Latina na Época Colonial (trad.). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002 [1983], pp. 365-422.
12ª Aula 1ª parte: Economia e escravidão no Caribe – Entrega do Trabalho
29/01 2ª parte: Discussão de Textos.
Leitura Obrigatória: Robin Blackburn, “A escravidão racial e o crescimento da plantation”, in: id. A Construção do Escravismo no Novo Mundo. Rio de Janeiro: Record, 2003 [1997], pp. 373-438.
Leitura Complementar: Rafael Marquese, Márcia Berbel & Tâmis Parron, “Brasil, Cuba e os dois primeiros sistemas atlânticos” in: id. Escravidão e Política: Brasil e Cuba, 1790-1850. São Paulo: Hucitec, 2010, pp. 21-54.
13ª Aula 1ª parte: América Inglesa continental: Economia e Sociedade.
05/02 2ª parte: Discussão de Textos.
Leitura Obrigatória: Ira Berlin, “Gerações de Plantation” in: id. Gerações de Cativeiro: uma história da escravidão nos Estados Unidos (trad.). Rio de Janeiro: Record, 2006 [2003], pp. 67-120.
Leitura Complementar: Edmund Morgan, “Escravidão e Liberdade: o paradoxo americano”. Estudos Avançados, 14(28), 2000 [1972], pp. 121-50.
14ª Aula 1a Parte: América Inglesa Continental: Política e Cultura.
19/02 2ª parte: Discussão de Textos.
Leitura Obrigatória: John H. Elliott, “La Corona y Los Colonizadores” in: id. Impérios del Mundo Atlántico: España y Gran Bretaña en América (1492-1830) (trad.). Madrid: Taurus, 2006, pp. 189-238.
Leitura Complementar: Jack P. Greene, “Tradições de governança consensual na construção da jurisdição do Estado nos impérios europeus da Época Moderna na América” in: João Fragoso & Fátima Gouvêa (orgs.). Na Trama das Redes: política e negócios no império português, séculos XVI-XVIII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010, pp. 95-114.
3ª parte: Avaliação do Curso.
15ª Aula
26/02 Prova Escrita Individual em sala de aula.


Bibliografia

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Colóquio Internacional Cores da Escravidão & Cores da Liberdade


Programação: http://www.mediafire.com/file/4nacj3cc2kc5nlc/Programa_Coloquio_Cores_BRR.pdf

A Companhia das Índias (UFF), o Antigo Regime nos Trópicos (UFRJ) e o grupo Identidades, Hierarquias e Mobilidade na América Ibérica (UFRRJ) convidam os alunos a assistirem o Colóquio Internacional Cores da Escravidão & Cores da Liberdade, a se realizar no Departamento de História (5o andar – sala 501) da Universidade Federal Fluminense, Niterói, entre os dias 29 e 31 de Outubro de 2012.

O Colóquio promoverá discussões em torno dos conceitos ou noções de cor, raça, mestiçagem, condição e qualidade empregados em análises historiográficas sobre cativos, libertos e livres no mundo ibero-americano. A proposta pretende considerar principalmente a relação entre tais conceitos e noções e as fontes utilizadas na construção de modelos interpretativos.
As inscrições são gratuitas – contudo limitadas – e serão emitidos certificados de participação para todos aqueles ouvintes que estiverem presentes aos 3 dias do evento.

Cordialmente

A Comissão Organizadora
Marcelo Rocha, Roberto Guedes, Márcio Soares

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

7a Aula - Stuart Schwartz - All Can be Saved

Infelizmente, não achei o texto do Schwartz, “Ajustes americanos” in: id. "Cada um na sua lei: tolerância religiosa e salvação no mundo atlântico ibérico" em português, mas aí vai o livro em inglês, se alguém tiver interesse.

http://libgen.info/view.php?id=424311

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

13a Aula - Morgan - Escravidão e Liberdade

http://www.scielo.br/pdf/ea/v14n38/v14n38a07.pdf

11a Aula - Schwartz & Lockhart - O Fim da Época Colonial nas Índias Ocidentais espanholas

http://www.4shared.com/office/x1hi5DJw/A_America_Latina_na_Epoca_Colo.html

7a Aula - Serge Gruzinski - O Pensamento Mestiço

Caros, aí vai o link para download do texto, obrigatório na 7a Aula: http://www.4shared.com/office/CK9CCtqX/serge_gruzinski_-_pensamento_m.html

10a Aula - Alejandro Cañeque - Cultura Vicerregia y Estado Colonial

Caros, esse é um texto complementar para a 9a aula: http://historiamexicana.colmex.mx/pdf/13/art_13_1964_18035.pdf

9a Aula - Ronald Raminelli - A Monarquia Católica e os Poderes Locais do Novo Mundo

Esse é o texto obrigatório da 9a aula.

http://www.mediafire.com/file/shgkf1eou8785n9/R%20Raminelli.doc

6a, 8a, 10a e 14a - John H. Elliott - Empires of the Atlantic World

Esse é a obra-prima de um dos maiores hispanistas vivos, fazendo uma brilhante comparação entre América Espanhola e Inglesa, embora dê menos atenção aos índios e negros do que seria ideal. De qualquer maneira, é excepcional. Há tradução para o espanhol (que está disponível na pasta), mas, novamente, só achei na internet em inglês. Ele será usado como leitura obrigatória nas aulas 6a, 8a, 10a e 14a.

http://www.mediafire.com/file/4f7df20nr557oa2/John%20H%20Elliott%20-%20Empires%20of%20the%20Atlantic%20World.pdf

5a Aula - Ronald Raminelli - Nobreza Indígena da Nova Espanha

Aí vai o primeiro texto do Ronald Raminelli, complementar da 5a aula.

http://www.scielo.br/pdf/tem/v14n27/a06v1427.pdf

4a Aula - Matthew Restall - Seven Myths of the Spanish Conquest

A quem interessar possa, aí vai o livro do Restall, fundamental no nosso curso, para baixar. Infelizmente, só achei na internet em inglês.

http://ifile.it/zce6vy/ebooksclub.org__Seven_Myths_of_the_Spanish_Conquest.l_o9x2k6380x1tx9t.pdf

4a, 5a e 8a aula - Historia da América Latina - Bethell (em espanhol)

Pessoal,

coloco aqui o link para baixar a História da América Latina do Bethell em espanhol, para quem se interessar. Os 4 primeiros tomos serão utilizados em nossa aula. Usaremos vários artigos da tradução brasileira, além de um artigo, no quarto volume, do James Lockhart, que será o texto opcional da 8a aula.

 http://www.todotegusta.com/2009/08/historia-de-amrica-latina-leslie-bethell-16-tomos/

Abaixo, os links para os dois volumes em inglês:
Volume 1: http://libgen.info/view.php?id=330525 (o site é russo, mas o livro é esse mesmo)
Volume 2: http://www.history.univ.kiev.ua/download/Library-KNU-History/Cambridge%20History/The%20Cambridge%20History%20of%20Latin%20America/CH%20Latin%20America%2002.%20Colonial%20Latin%20America.pdf ou http://depositfiles.com/files/6ixy56ra9.

11a Aula - Ronaldo Vainfas - Moralidades Brasílicas

http://www.4shared.com/file/y9oHUASN/Moralidades_Braslicas_-_Ronald.html

9a Aula - Stuart Schwartz - A Sociedade Escravista Colonial

http://www.4shared.com/office/YXhZRNvY/schwartz_stuart_segredos_inter.html

9a Aula - Rafael Marquese - A Dinâmica da Escravidão

http://www.scielo.br/pdf/nec/n74/29642.pdf

8a Aula - Manolo et al - Aspectos Comparativos do Tráfico de Africanos para o Brasil

http://www.afroasia.ufba.br/pdf/31_3_aspectos.PDF

7a Aula - Antônio Carlos Jucá de Sampaio - A Curva do Tempo

http://www.mediafire.com/file/w1vdr9tk5zsreui/Antônio_Carlos_Jucá_de_Sampaio_-_A_Curva_do_Tempo_-_As_Transformações_na_Economia_e_na_sociedade_coloniais_no_Setecentos.pdf

4a Aula - Luiz Felipe Thomaz - Expansão Portuguesa e Expansão Europeia

http://www.4shared.com/office/oSYeIddM/thomaz_de_ceuta_a_timor_cap1.html

3a Aula - Fragoso & Gouvêa - Monarquia Pluricontinental e Repúblicas

http://www.scielo.br/pdf/tem/v14n27/a04v1427.pdf

3a Aula - Fernando Novais - Portugal e Brasil na Crise do Antigo Sistema Colonial

http://www.4shared.com/office/NpuXd5Gi/novais_fernando_portugal_e_bra.html

2a Aula - Raymundo Faoro - Os Donos do Poder

http://www.4shared.com/office/OKqzyCUb/Raymundo_Faoro_-_Os_Donos_do_P.html

2a aula - Caio Prado Júnior - Formação do Brasil Contemporânea

http://www.4shared.com/office/e7uTCiw_/Formao_do_Brasil_Contemporneo_.html

2a Aula - Sérgio Buarque de Holanda - Raízes do Brasil

Caros, pra quem prefere ler no computador.

http://www.4shared.com/office/8jw9uk1o/Raizes-do-Brasil-Sergio-Buarqu.htm

O Macro, o Micro e o Conhecimento

A dualidade e interação entre macro e micro são uma questão extremamente presente na história, de Braudel até os dias de hoje. Vale ler esta coluna abaixo que, de forma compreensível e curta, trabalha esta questão de forma epistemológica:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/1167217-domesticando-o-acaso.shtml

hélio schwartsman

11/10/2012 - 07h00
Domesticando o acaso

Desenvolvo hoje a coluna publicada na edição da última terça-feira do jornal impresso, na qual procurei entender melhor o fenômeno Celso Russomanno, comparando-o a um suflê. Sua candidatura, afinal, veio num crescendo até ficar bastante vistosa e com cheiro de aposta segura para passar para o segundo turno. A menos de três semanas do pleito, ele abrira 14 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, segundo pesquisa Datafolha. Foi aí que, sem aviso prévio e já tendo contrariado as previsões de um bom número de analistas, a coisa murchou --e tão rapidamente que, quatro dias antes do pleito, ele ainda aparecia nominalmente como líder, mesmo que em situação de empate técnico com seus rivais. Terminou 7 pontos atrás do segundo lugar, fora, portanto, do turno final.

O que não faltaram foram hipóteses para explicar tanto a ascensão como a queda de Russomanno. Para a subida foram convocados religião, mensalão, desgaste dos políticos e partidos tradicionais, conservadorismo do eleitor paulistano etc. Para a queda, os suspeitos foram religião, falta de estrutura partidária, a campanha negativa iniciada pelos adversários. A crer no próprio Russomanno, a propaganda contra sua proposta de tarifa de ônibus proporcional ao trecho percorrido (uma ideia bem ruim, registre-se) teria sido fatal.

Mesmo sem acreditar muito em golpes decisivos, creio que esses e vários outros fatores tiveram seu quinhão de influência. Penso, contudo, que há uma outra característica, muito mais interessante, que torna o fenômeno difícil de interpretar e até mesmo de conceber. É o que os sociólogos chamam de problema micro/macro, ou como passamos das microescolhas dos indivíduos para os macrofenômenos que marcam o mundo social e vice-versa.

Quem lança luzes sobre essa questão de forma bastante didática é o físico e sociólogo Duncan J. Watts em "Tudo É Óbvio: Desde que Você Saiba a Resposta". Quase tudo o que sociólogos tentam explicar, de eleições ao sucesso do último livro de Paulo Coelho, está no nível macro, já que envolve grande número de pessoas. Mercados, governos, religiões, corporações e até modas só funcionam porque muita gente adere às suas lógica e regras, as quais só têm relevância porque são observadas por um bom público. Sim, é uma argumentação meio circular. Evidentemente, se uma propriedade está presente no nível macro, deve também estar, ao menos potencialmente, no nível micro, já que o resultado de uma eleição nada mais é do que a soma dos movimentos de cada eleitor individualmente.

As dificuldades do micro/macro não são exclusivas de cientistas políticos. Elas estão presentes em todos os ramos da ciência. Posso estudar um neurônio até aprender tudo o que há para saber sobre esse tipo de célula, mas isso ainda não será o bastante para que eu compreenda o funcionamento do cérebro e da mente. O conhecimento das partículas subatômicas não nos esclarece muito sobre a química orgânica, ainda que moléculas sejam feitas de átomos que são feitos de quarks, léptons etc.

As implicações dessa multiplicidade de escalas em que as coisas podem ser analisadas são particularmente interessantes para a filosofia e a epistemologia. O pressuposto do materialismo, abraçado pelas ciências e um bom número de doutrinas filosóficas, é o de que as propriedades de um objeto são causadas pela matéria. Outros sistemas, notadamente o de Platão, postulam uma dualidade entre forma e matéria e dão preponderância à primeira. Nesta nossa realidade corrompida, o desenho de um círculo é tão bom quanto sua participação na forma círculo, que tem existência real no mundo das ideias.

Deixemos, porém, a ontologia de lado e voltemos a nossos fenômenos micro/macro nas várias disciplinas. Eles têm em comum o fato de operar sob o signo da emergência, isto é, a propriedade de sistemas complexos que faz com que o todo exiba características diferentes das das partes que o compõem. Meu exemplo favorito é o do Boeing 747. Nenhuma peça do aparelho voa sozinha, mas elas estão colocadas para interagir de forma tal que o aparelho decole. A capacidade de voar surge com uma característica que está além da soma das partes, mas que ainda assim é determinada por elas. É um modo engenhoso de salvar o materialismo e a ciência como a temos feito até aqui. É verdade, porém, que a abordagem reducionista, que advoga pelo estudo exaustivo das partes, pode sair meio arranhada da aventura.

Se há uma diferença importante entre as ciências naturais e as sociais é que, nas primeiras, admite-se a natureza delicada da emergência e ninguém (ou quase ninguém) tenta deduzir o todo da parte. Há uma diferença nítida entre o gene e o genoma, o neurônio e o cérebro, o ecossistema e o bicho nele inserido. Já em matéria social, falamos em famílias, eleitorado, mercado como se fossem uma entidade indistinta das pessoas que as constituem. Perdemos, com isso, nada menos do que a emergência.

Um experimento mental proposto pelo sociólogo Mark Granovetter dá bem a dimensão de como as coisas podem funcionar. Imagine um protesto de estudantes que degringola em saques. Tínhamos 100 alunos em estado de elevada ambivalência: por um lado, estavam irritados com a última sacanagem do governo, que os impelia a quebrar tudo; por outro, sendo bons meninos, eram constantemente tentados a resolver as coisas de forma pacífica. Cada um dos 100 tinha de fazer a opção entre aderir à violência ou permanecer calmo. E cada um deles tem um limiar diferente. Na posição 1 temos o maluco que já vai para o protesto disposto a barbarizar. Na 2, temos o sujeito que saqueará se vir um outro a fazê-lo. Na 3, o que só adere se houver duas pessoas agindo com violência e assim por diante. Na posição 100, temos o sujeito zen que só se descontrolará depois que vir 99 colegas em estado de pura selvageria. Nesta situação em particular, a manifestação virou quebra-quebra por causa do maluco que destruiu a primeira vidraça.

Imagine agora uma realidade alternativa na qual o limiar do estudante na posição 3 era um pouco diferente. Em vez de aderir ao saque se visse duas pessoas agindo, ele precisava observar três violentos para seguir o mesmo comportamento. Bem, nesse universo, o ciclo foi interrompido, e o protesto não se converteu em pancadaria. Os dois indivíduos que se mostraram mais exaltados (o maluco e aquele na posição 2) foram rapidamente controlados pela polícia, que, queremos acreditar, agiu sem violência.

Temos, portanto, um caso em que uma diferença mínima, o limiar de ação do estudante 3 um pouco mais alto, indetectável pelos testes psicológicos hoje existentes, provocou um desfecho inteiramente diverso nos dois cenários. Tal é o poder da emergência.

Coisas bastante parecidas ocorrem com o eleitorado, que pode, no agregado, assumir comportamentos bizarros que não conseguimos atribuir a cada cidadão individualmente. Um exemplo quase assustador é o de um experimento clássico de Alexander Todorov. Ninguém vota considerando só as feições do candidato, mas o pesquisador mostrou que voluntários olhando por um mísero segundo para fotos de postulantes e apontando os mais bem apessoados conseguiram acertar 68% dos resultados de eleições para o Senado dos EUA. É um sinal bem convincente de que, por mais que tentemos negá-lo, a aparência é importante em eleições.

De modo análogo, poucos votam pensando apenas na economia, ainda assim o estado das finanças de um país é o melhor preditor das chances de reeleição de um presidente. O indivíduo pode não responder tão diretamente aos dados do PIB e da inflação, mas reage a como votam seus amigos e vizinhos que, ainda que não estejam preocupados com os números divulgados pelo IBGE, são sensíveis a pequenas mudanças na economia real, as quais, por sua vez, guardam alguma correlação com os macroindicadores. Os padrões são tão entrelaçados e complexos que, às vezes, uma mudança inicial imperceptível faz o suflê desandar.

É justamente essa instabilidade que torna a ciência política interessante. Estamos diante de fenômenos que são determinísticos (o eleitor sempre vota por razões em princípio cognoscíveis), mas, que, por sua complexidade, podem em algumas situações flertar com a imprevisibilidade. Não temos muita dificuldade para destrinchar os elementos básicos. Fatores econômicos e a narrativa que o candidato apresenta de sua própria vida são importantes. O mesmo vale para a estrutura partidária e as alianças. O ponto de partida, seja o recall ou a diferença de votos obtida no primeiro turno, também traz informação relevante. Mas tudo isso é só parte da história. Detalhes aparentemente insignificantes, como a palavra empregada pelo candidato para referir-se ao adversário e a linguagem corporal usada no debate, podem em certas circunstâncias fazer a diferença. É por isso que os staffs dos postulantes mais competitivos, tentando domesticar o acaso, isto é, precaver-se contra o imponderável, vem apostando em campanhas cada vez mais insossas e previsíveis.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

II Seminário Arquivos Paroquiais, Metodologia e História Social (Séculos XVII-XIX)


Programação:
18 de outubro de 2012
Manhã: Abertura
9:00h
1a mesa – 9:15 às 10:40 h
Assentos paroquiais e História Social na América lusa (séculos XVII e XVIII): algumas
anotações metodológicas de pesquisa
João Fragoso (UFRJ)
Debatedores: Carlos de Almeida Prado Bacellar (USP) e Ana Silvia Volpi Scott (UNISINOS)

2a mesa – 10:40 às 12:00h
Reflexões sobre um percurso de pesquisa: o Mosteiro de São Bento e o culto de São Gonçalo de Amarante
Beatriz Catão Cruz Santos (UFRJ)
Debatedores: Claudia Rodrigues (UNIRIO) e Francisco José Silva Gomes (UFRJ)

Tarde
3a mesa – 13:30 às 15:30
Batismos, casamentos e formação de redes: os homens de negócio cariocas nas fontes
paroquiais setecentistas
Antônio Carlos Jucá de Sampaio (UFRJ)
Debatedores: Marcelo Rocha (UFF) e Cacilda Machado (UFRJ)

Cafezinho – 15:30 às 15:45

4a mesa – 15:45 às 17:45
Mesa Redonda: Graduação e a pesquisa Arquivos Paroquiais e História Social na América
lusa, séculos XVI e XVIII: apresentação dos trabalhos em andamento
Julia Ribeiro Aguiar (UFRJ), Victor Luiz de Oliveira (UFRJ), Ana Paula Rodrigues (UFRRJ) e Marcelo Alves (UFRRJ)
Mediador: João Fragoso (UFRJ)

19 de outubro de 2012
Manhã
5a mesa – 9:00 às 10:40
Escravidão e qualidade de cor em registros paroquiais
Roberto Guedes (UFRRJ)
Debatedores: Douglas Libby (UFMG) e Carlos de Almeida Prado Bacellar (USP)

6a mesa – 10:40 às 12:00
História Social e História Demográfica no Brasil
Apresentação de trabalhos de convidados: Carlos de Almeida Prado Bacellar (USP) e Ana Silvia Volpi Scott (UNISINOS)

7a mesa – 13:00 às 14:40
Mesa Redonda: Pós-graduação e a pesquisa Arquivos Paroquiais e História Social na América lusa, séculos XVI e XVIII: apresentação dos trabalhos em andamento
Luis Farinatti (UFSM), Bruna Sirtori (Mestrado em História UFRJ), Ana Paula Cabral Tostes (Mestrado em História UFRJ), Francisco Javier Müller Galdames (Cúria Metropolitana de Niterói), Thiago Krause (UFRJ)
Mediador: Roberto Guedes (UFRRJ)

Tarde
8a mesa – 14:40 às 16:00
Os Processos de Habilitação Sacerdotal dos Homens de Cor: perspectivas metodológicas
para uma História Social do Catolicismo na América Portuguesa
Anderson Oliveira (UNIRIO)
Debatedores: William Martins (UFRJ) e Francisco José Silva Gomes (UFRJ)
Cafezinho – 16:30 às 16:45

9a mesa – 16:45 às 17:45
Mesa redonda: Grupos de trabalho de registros paroquiais (RJ, MG, SP e Paraná) e a
possibilidade de formação de uma rede nacional de pesquisas
João Fragoso (UFRJ), Roberto Guedes (UFRRJ), Douglas Libby (UFMG), Carlos de Almeida Prado Bacellar (USP) e Ana Silvia Volpi Scott (UNISINOS)
Encerramento –17:45 às 18:00

sábado, 6 de outubro de 2012

Obituário de Eugene Genovese, clássico autor sobre escravidão

Eugene Genovese, especialista na história da escravidão oitocentista norte-americana, influenciou muito a historiografia nacional a partir da década de 1980, especialmente com seu clássico "Roll, Jordan, Roll". Posto o link de seu obituário, interessante inclusive pela bizarra trajetória que o levou de marxista a um conservador católico.

http://hnn.us/articles/eugene-genovese-1930-2012

E aqui um belo obituário, crítico mas respeitoso ao mesmo tempo:

From Radical to Right-Wing: The Legacy of Eugene GenoveseSteven Hahn, The New Republic, Oct. 2, 2012
http://www.tnr.com/article/books-and-arts/108044/radical-right-wing-the-legacy-eugene-genovese
Eugene D. Genovese, who died on September 26 at the age of 82, arrived at the University of Rochester in 1969 amid a swirl of controversy. Several years earlier, while on the faculty of Rutgers University, he had ignited a political firestorm when he publicly welcomed a Vietcong victory in the Vietnam War. Some New Jersey officials, including a Republican candidate for governor, called for his dismissal and even Richard Nixon denounced him. Ironically, after a brief stint at Sir George Williams University in Montreal, Genovese was hired by Rochester’s Republican president to chair a history department with an assortment of left-wing faculty and graduate students. As a political activist myself and an undergraduate at Rochester, I was attentive to the buzz and, a few years later, as a junior, enrolled in Genovese’s course on “The Rise of Modern Capitalism,” despite hearing that he was extremely tough.
Tough Genovese was, especially on left-wing students who figured they might have the favor of a fellow radical. He routinely handed out Ds and Fs to nearly half the class, and leftists who didn’t cut it would not be spared. But I wasn’t quite prepared for the sheer power and inspiration of his teaching. With a few note cards in hand, Genovese delivered brilliant, wide-ranging lectures on early modern Europe (not his specialty), the transition from feudalism to capitalism, and the crisis of the 17th century while pacing back and forth in front of the room. He exuded confidence, erudition, and intense political commitment, and he sent a powerful message to those, like myself, who were desperately searching for socially and politically meaningful things to do: that intellectual work was immensely valuable to any movement for change; that the only politically useful scholarship was scholarship of the highest order; and that if we studied hard enough, read broadly enough, and thought deeply enough we would write the sort of history that made a difference. For me, nothing would be the same again.
Eugene Genovese’s scholarship made an enormous difference despite the challenges that he faced. As a self-proclaimed Marxist, he had to make his way through an unreceptive professional discipline – history – in a country still feeling the effects of McCarthyism, and he took on one of the central areas of historical interpretation, the coming and significance of the Civil War. What got him a hearing and then the notice of distinguished historians like C. Vann Woodward and David Potter was the breadth of his research, the clarity of his arguments, and the respect he paid to intellectual adversaries (sometimes more than they deserved). At a time when most scholars thought the debates over the Civil War had largely been resolved and a “consensus” interpretation reigned supreme, Genovese wrote of a fundamental, and revolutionary, battle between two different and increasingly antagonistic societies: a bourgeois North and a pre-capitalist South. In a series of immensely influential books – especially The Political Economy of Slavery (1965), and The World the Slaveholders Made (1969) – he insisted that slavery established the foundation of a radically different order in the southern states, limited the course of southern economic development, and gave rise to a pre-bourgeois ruling class that fashioned a distinctively reactionary world view.

These were perspectives and concepts that had little familiarity among American historians, who tended to be cautious and hostile to social theory, but within relatively short order they were framing a new and energetic discussion about slavery, the South, and the Western Hemisphere. To this day, the fields of southern and United States history show the effects.
Yet no book of Genovese’s has had the impact of Roll, Jordan, Roll: The World the Slaves Made (1974). A long, complex, almost Hegelian treatment of the master-slave relation – and of the dynamics of power that were embedded within it – Roll, Jordan, Roll is a study of intense struggle, unfolding over decades, that enabled slaveholders to establish political and cultural hegemony but also enabled slaves to claim basic rights for themselves and room for their communities. At the book’s center is slave religion, at once a concession to the cultural authority of the masters and a celebration of the slaves’ solidarity, spirituality, and destiny--a measure of the contradictory character of the slave regime. Replete with comparative and international references, political allusions, and literary flourishes, Roll, Jordan, Roll may well be the finest work on slavery ever produced.
But it, along with the rest of Genovese’s early work, had serious critics, especially on the left. While acknowledging his analytical skills, many felt that Genovese was too admiring of the slaveholders’ power and too dismissive of the slaves’ rebelliousness; too interested in class and not sufficiently interested in race; too focused on the pre-capitalist features of southern society and the paternalist ethos of the masters; and too blind to the capitalist impulses of an intensely commodified world.
As it turned out, this was only an aspect of a deepening rift between Genovese and much of the academic left in the United States. Genovese could express impatience if not contempt for the efforts of leftist historians to excavate radical traditions or identify working-class resistance or demand political accountability on the part of universities, and he did not hesitate to criticize them in public while heaping praise on conservatives. The growing impasse was cultural as well as political and, without doubt, profoundly psychological. And it undermined some of the most promising intellectual projects in which Genovese engaged, including the journal Marxist Perspectives, which he helped to found and soon thereafter effectively detonated.
Certainly by the 1980s, Genovese – together with his wife, the historian Elizabeth Fox Genovese – were publicly moving to the right. They came to denounce feminism, socialism, abortion rights, political correctness, and lax standards in the universities. They embraced conservative Catholicism and remarried in the Catholic Church. They supported or spoke favorably of a variety of right-wing causes, and advanced something of a corporatist critique of free-market capitalism. Genovese even appeared in the pages of neo-Confederate publications – the Southern Partisan for one – that on occasion defended slavery.
Some have argued that the rightward shift was more apparent than real, that Genovese’s loyalties to the left were always suspect (despite his time in the Communist party as a teenager), that his conservative leanings were ever present, that his Stalinist tendencies in professional and intellectual life could at any point be peeled back to reveal the hulk of conservative authoritarianism. Perhaps. But the picture is a confusing one. Although much of Genovese’s scholarship over the last three decades has been given over to the “conservative tradition” in the South, especially in its religious and theological dimensions, one of his most recent works, The Mind of the Master Class (2005) – coauthored with Fox-Genovese – could surely have been written by the Genovese of the mid-1970s: attentive to class and political economy, to the dialectics and contradictions of intellectual expression, to the slaveholders’ complex struggle with modernity.

What seems clearer is Genovese’s tragic self-marginalization. Although he probably had a larger international reputation than any of his contemporaries in the historical profession, he had relatively few graduate students over the years and never held a post at a major university. By the mid-1990s he all but evaporated, save for an occasional appearance before a conservative audience or organization. Why? The truth is, for all his brilliance he was also personally demanding, self-referential, and self-destructive. As an awe-struck undergraduate I nonetheless had a sense that it might dangerous to fall into his personal orbit. And when, for personal reasons I briefly did, I learned the hard way that my young sense was correct.

Yet, for all of that – perhaps in part because of that – Genovese was one of the towering historians of the past half century. His work electrified historians and intellectuals on the left, introducing many of them to Marx and Dobb and Gramsci, and it shook the landscape of what had been a mostly complacent profession, staunchly resistant to the very sort of things he was trying to do. His contributions, especially during the decade and a half between 1965 and 1980, will be lasting ones. I shall always teach his books and grapple with the ways he analyzed power and change in the explosive history of slavery and emancipation. But as much as anything else, when I prepare to walk into class and think about how to present the past and make a difference for my students, I’ll invariably think about the difference he made for me.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Entrevista com Ciro Flammarion Cardoso

Entrevistas de historiadores são muito interessantes, e as do Ciro ainda mais, considerando o papel nele na divulgação do estudo de História da América no Brasil.

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/entrevista/ciro-flamarion

Ciro Flamarion
Contracorrente

Rodrigo Elias e Bruno Garcia

Ele nunca foge de polêmicas. Prestes a se aposentar do serviço público, recebendo homenagens de colegas e ex-alunos, o professor Ciro Flamarion Cardoso plantou ventos na historiografia durante décadas. De início, recusou-se a acreditar em teorias fatalistas sobre o passado brasileiro. Ao contrário do pensamento dominante nas décadas de 1960 e 1970, defendia que as sociedades americanas do período colonial não eram apenas uma extensão do sistema europeu, mas tinham lógicas próprias. Nos anos seguintes, viu a confirmação das suas suspeitas. Quando ninguém esperava, mudou de rumo: decidiu seguir uma antiga paixão e virar egiptólogo.

Ele pesquisa, escreve, orienta teses e ensina na área há mais de 30 anos. Mas não abandonou os outros interesses: ao lado destes temas, a crítica ao marxismo – corrente à qual ele próprio é filiado. Remando contra a maré, combateu uma visão linear da História, pregada por partidos políticos e estudiosos de esquerda. Mas ainda não acabou: hoje vira suas baterias contra o pós-modernismo e uma das vedetes da historiografia mundial – a nova história cultural.

Pontual, claro e sem meias palavras, Ciro conversou com a Revista de História na Universidade Federal Fluminense, em Niterói. E, sem perder o hábito, disparou: “O que mais me incomoda é uma historiografia que não se mostra preocupada com o mundo ao qual pertence”. A julgar pelo histórico do nosso entrevistado, não é má ideia observar em que direção navega – mesmo que seja contra o vento.


REVISTA DE HISTÓRIA Por que as pessoas estão, aparentemente, mais interessadas por História?

CIRO FLAMARION CARDOSO Não acho que seja algo novo. Desde que institucionalizaram a pós-graduação no país, na década de 1970, o número de cursos vem aumentando. Ainda assim, a História não é um curso dos mais populares. O curioso é que as pessoas têm buscado a História para estudar o século XX, o século XXI, períodos cada vez mais recentes, mais próximos de nós.

RH É a chamada História do tempo presente.

CFC Pois é.Ou História imediata. Eu me pergunto: por que esse tipo de pessoa não vai fazer, por exemplo, Sociologia? Acho que há várias respostas. As pessoas acreditam que a História oferece uma informação talvez mais articulada. Por mais que se afirme que ela acabou, a História ainda tem uma dialética: passado, presente, futuro.

RH E a Antropologia?

CFC Eu tenho a impressão de que a Antropologia se renovou mais do que a Sociologia. Ambas surgiram mais ou menos na mesma época, mas, ao longo do tempo, a Sociologia ficou presa a certos parâmetros e bases que não mudaram tanto. A Antropologia nos apresentou novidades muito importantes. Talvez a mais interessante tenha a ver com o conjunto de tendências interacionistas também conhecidas como individualismo metodológico. Estou me referindo a nomes como Jon Elster e Pierre Bourdieu, que encabeçaram a tendência de se concentrar não somente nas ações e interações individuais, mas também na institucionalização de uma parte do resultado delas, que constitui, afinal de contas, o social. Se assim não fosse, como explicar fenômenos de longa duração como o da guerra entre os Dâni da Nova Guiné, com um longo ciclo “ritual” pouco mortífero e um curto ciclo “secular” ou “mundano” marcado por grandes carnificinas? Se as ações e interações individuais só criassem fenômenos evanescentes, não seria de se esperar exemplos desse tipo. E as pessoas não teriam de “aprender”, mediante processos de socialização, a sociedade em que nascem, como acontece. Isso é uma maneira de ver mais interessante que a da Sociologia, que na sua origem tendeu a criar um fato social separado das interações individuais, nunca ficando muito claro o que seria tal “fato social”.

RH Quais são os principais problemas nessa aproximação com outras áreas?

CFC Ao se apossar da Antropologia, o historiador deve ficar ciente de que não está fazendo Antropologia. O que ele está fazendo é uma história “antropologizante”, mais voltada para interações sociais vistas no detalhe. Outro problema é a confusão entre temas e estratégias. Por exemplo, a micro-história não é um tema, é uma estratégia, uma forma de recortar o objeto. História comparada também não é um tema, é um recorte: trabalhar com mais de um caso ao mesmo tempo e comparar parâmetros.

RH Mesmo alterando o foco, não se perde a noção do todo.

CFC Isso é o mais interessante: o diálogo entre micro e macro, como na escola italiana, com Carlo Ginzburg e Giovanni Levi. Essa aproximação com a Antropologia já dura várias décadas e talvez seja o aspecto mais novo e mais interessante da História nos últimos tempos, desde que feita adequadamente. Meu último curso na UFF, de extensão, chamou-se “Antropologia para Historiadores”. Não acredito na interdisciplinaridade, e sim na transdisciplinaridade. Ou seja: trazer conteúdo de uma disciplina para outra, segundo as lógicas desta outra que recebe.

RH E qual é a lógica do historiador?

CFC O historiador é profundamente empirista. Ele tem preocupação com a fonte, com o dado, com o fato, com o processo. Quando você pergunta a alguém o que está estudando em História, recebe uma resposta do tipo: “Ah, eu estou estudando a Revolta da Vacina”. Uma coisa bastante definida no tempo, um processo delimitado. O antropólogo pode se interessar, por exemplo, por campesinato ou religião de modo geral, seja na Nova Guiné, na América Latina ou no Caribe. Um historiador só se sente seguro se o que ele disser for apoiado em grande quantidade de documentação. Por isso tem dificuldade em generalizar.

RH O discurso historiográfico se transformou nas últimas décadas?

CFC O mundo deu uma guinada no período de 1955 a 1965. Uma série de transformações se tornou visível nessa década, a começar pela reconfiguração do mercado de trabalho e por uma urbanização muito radical. A História não dava mais conta da vida que as pessoas de fato viviam. As relações sociais tradicionais e os pontos de referência, como casamento, família, sindicato, partido e nação estavam se desgastando muito rapidamente. O movimento francês ocorrido em maio de 1968 e outros ocorridos no mesmo ano em várias partes do mundo eram a manifestação de um mal-estar diferente. Mudaram as relações pessoais, e havia certa insegurança em matéria ética também. As pessoas talvez não soubessem muito bem o que andava mal, o que as incomodava. Nas últimas décadas, a sociedade não mudou só de etapa; ela se tornou radicalmente outra. Por isso é que hoje em dia se procuram novas maneiras de chamá-la. “Sociedade da informação”, não é isso? Ou coisas assim. Porque, de fato, os parâmetros antigos se aplicam mal. Daí a tal “História em migalhas”, dividida em um número muito grande de perspectivas, de planos, de objetos, de maneiras de trabalhar. As respostas ainda são parciais. Há muitas lacunas.

RH Alguma solução à vista?

CFC Edgard Morin tem um livro chamado Para sair do século XX, em que defende a ideia de juntar todas as perspectivas já propostas em uma só. O que é impossível, não é? E não é desejado. Eu acredito que a gente tenha mais perguntas do que respostas. Os grandes objetos construídos nos paradigmas de antes vão perdendo força, fossem eles quais fossem: marxista, weberiano ou o que quiserem, simplesmente porque o objeto mesmo – as sociedades humanas – mudou.

RH Como surgiu seu interesse pela História?

CFC Eu comecei gostando de História Antiga, mais exatamente de egiptologia. Era adolescente, tinha 13 anos, e estava fascinado pelo Egito Antigo. Devo dizer que naquela mesma época eu também gostava muito de Astronomia e de insetos, especialmente as formigas. Além disso, fui músico profissional, tocava piano. Só abandonei a música como algo central quando já estava na faculdade, porque não aguentei levar as duas coisas. Tive que fazer uma opção.

RH Chegou a se arrepender em algum momento?

CFC Não. Foi a opção certa. Eu era bom no piano, mas nunca seria de primeira linha. Em História, acho que pelo menos fui mais original. Mas tive de convencer primeiro a minha família. Meu pai era filho de um farmacêutico do interior de Minas. Ele queria muito, com muita força, que eu fosse médico. Mas eu não tinha a menor vocação. A resistência de meu pai só cedeu às vésperas do vestibular, feito em 1962.

RH Como foi o período na universidade?

CFC Meu interesse era por História Antiga. No entanto, o catedrático de História Antiga, na atual UFRJ, era o Eremildo Luiz Vianna, o maior dedo-duro do Rio. Ele teria um papel direto naquela caça às bruxas de 1968, quando vários professores foram aposentados. Então, não havia a mínima condição de trabalhar com ele. Eu acabei sendo atraído pela História Moderna e Contemporânea e pela professora Maria Yedda Linhares. Trabalhei com ela até ir para a França no doutorado. Foi Maria Yedda quem me conseguiu a bolsa francesa, aliás, baixíssima. Vivi muito pobremente durante os quatro anos em que fiz o doutorado na França. Mas, é claro, havia a cidade universitária, excelentes bibliotecas e muitas atividades culturais gratuitas. Além disso, cheguei a Paris poucos meses antes de maio de 1968. Portanto, vivi o episódio lá, o que para um historiador foi uma experiência muito interessante. Isso, por um lado, confirmou por um tempo minha orientação para História Moderna. Minha tese foi sobre a Guiana Francesa no século XVIII.

RH E voltou logo ao Brasil?

CFC Queria voltar quando acabasse o doutorado, mas o mar não estava pra peixe. As pessoas diziam: “Não volte, fique por aí. Você foi arrolado em três Inquéritos Policiais Militares (IPMs) e será preso ao chegar aqui”. Usei esse período para cobrir o que eu via como uma deficiência muito grande, minha e em geral do Brasil, que era a falta de conhecimento de teoria e metodologia. Não é por acaso que o primeiro livro mais ou menos de importância que eu fiz foi sobre metodologia [Los métodos de la Historia, 1974], quando fui trabalhar na Costa Rica. Uma colaboração com Héctor Pérez Brignoli, que tinha sido meu colega na França. Voltei para o Brasil com a Anistia, em 1979, depois de ter trabalhado na Costa Rica e no México.

RH Voltou como professor de História da América?

CFC Sim, fui contratado para trabalhar na pós-graduação da UFF, que na época tinha as áreas de Brasil e América, então fiquei com História da América.Isso é outra concepção equivocada: separar a História em fatias.Diferenciar HistóriaGeral de História do Brasil. O que é “História Geral”? Ainda hoje, certos programas de pós-graduação separam História da América e História dos Estados Unidos. Os Estados Unidos estão onde? Em Marte? Misturam o critério cronológico com o geográfico de uma maneira absurda. Tem uma coisa meio moralista também de achar que o Brasil precisa ser prioritário de maneira absoluta e a História Geral só deve se envolver naquilo que for útil à História do Brasil. A maioria das pessoas pensa que essa é uma posição de esquerda, mas não: isso nasceu com o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Nasceu de uma concepção nacionalista romântica de século XIX. Então, Idade Média tudo bem, mas só o final dela. Portugal no século XIV e XV, sim. Alta Idade Média, não. Não estou negando a importância da História do Brasil; acho correto esse compromisso. O problema é o exclusivismo. A história humana é uma coisa só.

RH Sua escolha da História Antiga, então, deve ter causado estranheza.

CFC Desde a época de estudante, havia certo tipo de pessoa que dizia que era um absurdo fazer Antiga e Medieval no Brasil: “Não houve aqui História Antiga, nem houve Medieval, portanto, não há museus importantes, não há sítios arqueológicos, não há uma vivência desse tipo de passado”. Em 1981, dois anos depois que voltei ao Brasil, houve uma lei que permitia às pessoas entrarem para o quadro universitário sem concurso. Os que, como eu, já estivessem lá por contrato, poderiam escolher a área. Eu escolhi Antiga e Medieval. As pessoas ficaram estarrecidas. Não conheciam minha trajetória.

RH Como se encontra o Egito Antigo em nossos museus e universidades?

CFC A melhor coleção da América Latina é a do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Mas não é lá grandes coisas. É uma coleção em boa parte descontextualizada. A maioria das peças não tem indicação de procedência; nem sempre há uma cronologia bem estabelecida. E, para meus próprios interesses de pesquisa, tem pouco a oferecer, porque predominam as peças de períodos muito tardios. Outro problema para quem atua na área é a aprendizagem da língua. Nos Estados Unidos e na Europa ainda é possível estudar latim ou grego com certa facilidade. No Brasil, é difícil. Imagine egípcio.

RH O senhor chegou a ensinar o idioma?

CFC Ensinei durante muitos anos, de 1989 até me aposentar, este ano. Fui o único a dar esse curso durante muito tempo. Atualmente, ele também é dado no Museu Nacional. Este é um problema que não existe somente no Brasil. O interesse pela egiptologia caiu bastante, ou, mais exatamente, a decisão, de parte dos governos, de subvencionar adequadamente o setor: na França, por exemplo, o número de cátedras de egiptologia foi sendo cortado, e hoje é a metade do que chegou a ser. A novidade é que o campo tem crescido muito no próprio Egito: antes, os egiptólogos egípcios eram todos formados na Europa; agora, muitos são formados lá mesmo.

RH Eles também têm controlado mais os seus sítios arqueológicos?

CFC Sim. Os egípcios têm evitado as saídas de peças. Hoje é muito mais difícil exportar peças do Egito. Mas a reivindicação do retorno de algumas obras que estão nos Estados Unidos ou na Europa ainda não foi atendida. E dificilmente será. Ou vocês acham mesmo que Berlim vai devolver o busto de Nefertiti? Ou, analogamente, que o Museu Britânico vai abrir mão dos mármores do Paternon para a Grécia?

RH Como o senhor se inseriu na historiografia brasileira na década de 1970?

CFC Os modelos usados no Rio eram diferentes dos de São Paulo. O professor Nelson Werneck Sodré, por exemplo, nunca teve grande influência em São Paulo, embora no Rio ele tenha sido uma figura destacada. Aquelas noções de um marxismo que via etapas universais, a ideia de uma unilinearidade dos modos de produção que levariam ao comunismo... Naturalmente, isto não me convencia, já que acreditava na multilinearidade da evolução. Eu me inseri nas discussões sobre os modos de produção na América Latina da época colonial por esse viés, como crítica de um marxismo quadrado, stalinista, fechado e unilinear.

RH Era uma forma de superar a crítica às ideias de Caio Prado Jr. e Celso Furtado?

CFC Eles eram bastante influentes, defendiam a ideia de que o essencial na nossa trajetória foi a extração de excedente e as relações comercias com a Europa. A América Latina como quintal da Europa, o Brasil servindo a uma lógica europeia de acumulação. Eu sempre achei que na América Latina, mal ou bem, havia sociedades, e não quintais. A escravidão, para mim, não era um campo de concentração, em que escravos inermes estavam à mercê de senhores cruéis. Eu via aquilo como uma sociedade onde o negro se inseria, negociava. O mais importante era dizer: “Nós temos na América colonial sociedades com uma lógica própria e que não necessariamente dependem tanto assim ou tão totalmente do sistema atlântico de comércio”. Acho que minha maior contribuição neste sentido foi a tese sobre a Guiana Francesa. Quando comecei esses estudos, não havia tantos conhecimentos e pesquisas concretas sobre o tema.Nas notas, eu comparava sistematicamente a Guiana com o Brasil, com as Antilhas, com o sul dos Estados Unidos e com as outras sociedades escravistas da América. As pessoas tomavam muito ao pé da letra a questão do modo de produção escravista colonial como tal, e isso não era o mais importante para mim. As classes dominantes coloniais nem sempre perdiam nos embates com as metrópoles enfraquecidas dos séculos XVII e XVIII, não é? As classes dominantes daqui ganhavam certas coisas, conquistavam certas coisas.

RH Por que o senhor deixou a História da América de lado?

CFC Ainda leio, tenho interesse pelo assunto, mas não participo mais dessa discussão. Eu posso ser uma exceção no sentido de que eu mudo muito de assunto. De vez em quando eu quero sair do assunto em que estou trabalhando e trabalhar em outra coisa.

RH Essa postura é malvista no meio?

CFC Não tenho a menor ideia, e também não me importa. Sem dúvida, eu sou minoritário em minhas posições hoje em dia. Continuo muito marxista em muitas coisas, e o marxismo está fora de moda há décadas, não é isso? Não me importa, porque não é por aí que vou escolher o que eu faço, o que eu acho.Eu sou uma pessoa de briga. Sempre procurei a polêmica [risos]. Alguns debates foram bastante árduos. Acabei criando inimigos, até porque na América Latina as pessoas têm o hábito de achar que ser criticado significa ser atacado pessoalmente. O debate acadêmico é necessário para que a ciência avance, mas no Brasil há uma personalização muito grande das críticas.

RH Quais são os seus combates atuais?

CFC Nossa historiografia está voltada para duas coisas que costumo combater: a nova história cultural e o pós-modernismo, nessa ordem. Até porque o pós-modernismo não é lá muito importante no Brasil, ao contrário dessa nova história cultural. Ela insiste na importância do cultural e no fato de que a cultura não é gerada diretamente pelo econômico ou pelas estruturas. Para mim, o cultural tem uma base social. Não faz sentido estudar a cultura sem ver essa base social. E tem o extremo do pós-modernismo: dizer que não há nenhuma verdade, apenas versões. O professor [Francisco José Calazans] Falcon escreveu várias vezes que o historiador, por mais vociferante que seja nessa afirmação da inexistência de verdades, sempre acha que o seu tema existe [risos]. Os pós-modernos não fazem desconstrução de si mesmos, só dos outros. Mas o que mais me incomoda é uma historiografia que não se mostra muito preocupada com o mundo ao qual pertence. Numa época de globalização, por exemplo, valorizam-se não a economia ou as estruturas sociais, como seria de se esperar, mas sim aspectos subjetivos e culturais.

Verbetes

Jon Elster

Filósofo norueguês, professor de Racionalidade e Ciências Sociais no Collège de France desde 2006. Para entender a política e a sociedade de uma determinada época, ele parte das motivações das ações individuais e suas relações.

Pierre Bourdieu (1930-2002)

Sociólogo francês, discutiu em suas obras temas como educação, cultura, arte e política, utilizando métodos de várias disciplinas. Estudou particularmente os mecanismos sociais que estão por trás das diversas formas de dominação.

Carlo Ginzburg

Historiador italiano conhecido mundialmente por seus estudos no campo da micro-história, nos quais aborda especialmente a relação entre religiosidades e Inquisição. Entre seus estudos mais famosos está O queijo e os vermes (1976).

Giovanni Levi

Historiador italiano, participou da criação da micro-história como método de análise, especialmente dos sistemas econômicos e suas redes sociais. Seu trabalho mais conhecido é A Herança Imaterial, publicado na Itália em 1985.

Maio de 1968 na França

Símbolo de uma década de transformações nos valores sociais marcadas, sobretudo, por movimentos e protestos estudantis. A Guerra do Vietnã, a desigualdade dos direitos civis e os tabus sexuais foram temas recorrentes e deram início a uma volumosa produção intelectual nos campos da Arte, da Filosofia e da História.

Edgar Morin

Sociólogo francês, conhecido por seus estudos sobre inter e transdisciplinaridade. Em O Método– seis volumes publicados entre 1977 e 2004 –, apresenta sua crítica ao modelo de pensamento das sociedades “desenvolvidas” baseado na determinação causal e no tempo linear.

Nelson Werneck Sodré (1911-1999)

Nascido no Rio de Janeiro, foi militar do Exército e historiador de orientação marxista. Autor, entre outros livros, de Capitalismo e Revolução Burguesa no Brasil (1990).

Francisco José Calazans Falcon

Historiador nascido no Rio de Janeiro, participou do estabelecimento do ofício de historiador nas universidades brasileiras. Seu livro A época pombalina (1982) é referência central sobre o governo do marquês de Pombal (1750-77).



Obras do autor

Agricultura, Escravidão e Capitalismo. Petrópolis: Vozes, 1979.

Uma introdução à História. São Paulo: Brasiliense, 1981.

O Egito Antigo. São Paulo: Brasiliense, 1982.

Domínios da História. Rio de Janeiro: Campus, 1997 (org.).

A ficção científica, imaginário do mundo contemporâneo: uma introdução ao gênero. Niterói: Vício de Leitura, 2003.

Um historiador fala de teoria e metodologia: Ensaios. Bauru: Edusc, 2005.